sábado, 1 de outubro de 2016

OS PRESENTES DA NOITE

Na noite fria de Buenos Aires, desembarco do último trem, só pensando em minha cama. Atravesso a ponte que me leva a uma longa avenida do bairro onde se encontra o prédio em que moro. A rua esta deserta, não tem cães ou mendigos à vista, parece que o frio os levou a se esconder no túnel da estação ou em algum lugar onde o vento não os toque, onde possam passar a noite sem que a morte fria os encontre. Como se fosse possível com este maldito frio! No meu andar solitário me perco em pensamentos banais como contas, comida e a porra do vizinho que nunca abaixa o som. Ao chegar à entrada do prédio procuro minha chave que abrira meu lindo e confortável apartamento.

Nada melhor que um apartamento de dois cômodos para um solteiro. Com televisão de plasma, um Xbox e um bom Wi-Fi. Subo as escadas me arrastando, o cansaço aumenta a cada degrau alcançado e são dois andares para escalar. O desejo de chegar a casa me empurra até a porta do meu santuário e como mágica a porta se abre, sozinha. Sozinha?! Como assim?! Tem alguém dentro do meu apartamento. Quero gritar, mas a curiosidade é maior que a vontade de pedir ajuda. Cruzo a porta á procura do filho da puta que provavelmente esta levando meu Xbox. Mas o que vejo é surreal. Uma mulher de cabelos ruivos e olhos negros em meu sofá. Com um vestido colado e muito decotado para esta época do ano. Sua beleza supera a normalidade mundana. O Corpo torneado, seios fartos e umas coxas de quebrar o pescoço. Ela me encara por alguns segundos enquanto entro vagarosamente.

- Boa noite meu caro anfitrião, desculpa invadir, mas você se atrasou a nosso encontro hoje. 
- Encontro?
- Sim docinho, estou te esperando a um bom tempo ou anos, para mim não existe diferença.
- Tempo? Anos?  Como assim?
- Minha cara criança, hoje posso te revelar a beleza da noite ou te matar. Você pode escolher. Mas confesso que desejo você “á meu lado” por assim dizer.
- O que? Como assim? Não estou entendendo?
 - Você entenderá.
Ela se levanta e caminha devagar em minha direção, coloca a mão atrás da minha cabeça, deixando a boca a milímetros de minha orelha e diz:
-hoje é sua noite, basta pedir e te darei todas as noites do mundo, para sempre!
 A resposta foge da minha boca involuntariamente, como se já estivesse lá, ansiosa para sair. Um sim alto e claro até demais para uma pessoa que não sabe para o que esta concordando. Sem demora ela beija minha orelha com seus lábios frios, causando arrepios que percorrem meu corpo por completo. Começa a descer lambendo meu pescoço até a jugular e crava suas presas. Uma mordida prazerosa que aos poucos suga minha vida, em poucos segundos estou jogado no piso frio do meu apartamento, agonizando entre a vida e a morte. Ela chega perto e fala:
- Você quer a noite eterna, junto a mim?
- Sim, me ajuda! Por favor!E com essa ultima súplica pela vida, ela tira a alça do vestido, deixando os seios á vista e com a unha perfura um deles, bem abaixo do mamilo e o coloca em minha boca.

-Bem vindo á noite eterna!